AS DUAS SEMENTES

Era uma vez uma senhora que aproveitou o início da Primavera e colocou no seu jardim algumas sementes. Duas delas acabaram sendo enterradas uma ao lado da outra. Então, a primeira disse para segunda: – Pensa como será divertido, vamos germinar e lançar as nossas raízes bem fundo no solo… E quando elas estiverem fortes e seguras, vamos brotar da terra e tornar-nos lindas flores para todo mundo ver e admirar! Que excitante, não te parece?

A segunda semente ouviu, mas ela era medrosa e estava preocupada. – Isso parece bom – disse ela – mas a terra é tão escura, não achas que está muito fria? Eu estou com medo de estender as minhas raízes nela. E se alguma coisa correr mal e eu não me tornar numa planta muito bonita? Então a senhora pode não gostar de mim… eu estou com medo. Não sei se é seguro aventurar-me.

A primeira semente, no entanto, não estava nada intimidada. – Anda lá, não custa nada! – exclamou ela empurrando as suas raízes para baixo na terra, ganhou alguma segurança e começou logo a crescer. Quando as suas raízes estavam fortes o suficiente ela emergiu do solo ainda frágil, mas com uma linda flor que desabrochava a cada dia.

A senhora que cuidava do jardim notou o desabrochar lento e seguro da flor, inclinou-se cuidadosamente para ela e cheirou-a. Orgulhosamente mostrou a flor perfumada para todos os seus amigos. Enquanto isso, a outra semente permanecia dormente no solo à espera para ver. Dizia que ainda não se sentia suficientemente segura para desabrochar.

– Vamos lá, não custa nada – dizia a flor todo o dia para a sua amiga – Repara como o dia está lindo e o sol é quente e maravilhoso aqui em cima.

A segunda semente estava muito impressionada com o feito da amiga, mas permanecia amedrontada e com insegurança. A custo empurrou uma raiz no solo: – Ai! – gritou ela. Essa terra ainda está muito fria e dura para mim. Eu não gosto disso. Eu não sei se vale a pena arriscar! Prefiro ficar aqui confortável, onde estou segura. Há muito tempo para me tornar uma flor – acabou ela por dizer. E nada que a primeira semente, já transformada em flor, dissesse mudava o pensamento da segunda.

Enquanto isso, a senhora que cuidava do quintal ausentou-se. Foi então que um pássaro faminto voou pelo jardim. Ele ciscava o solo à procura de algo para comer. A segunda semente viu o perigo. Ela estava logo abaixo da superfície e sentia-se com muito medo de ser comida. Começou a tremer e logo o pânico tomou conta dela. O olhar aguçado do pássaro percebeu que havia ali alimento e saltitando aproximou-se dela.

Mas aquele era o dia de sorte da semente. Um gato saltou do peitoril da janela e espantou o pássaro. A semente suspirou de alívio!  O susto teve o poder de a despertar para a realidade. E nesse preciso momento ela tomou uma importante decisão:

– Que parvoíce a minha! Pensava eu que estava segura, mas estou apenas a desperdiçar o meu curto tempo de vida! – exclamou – Foi-me dada uma nova oportunidade! Por isso, vou seguir as minhas esperanças e quero acreditar nos meus sonhos, em vez de seguir os meus medos.

Foi então, sem outro pensamento que a perturbasse, que a segunda semente começou a espalhar as suas raízes na terra e ganhou suficiente segurança e também cresceu e se tornou numa linda flor. Dizem que todas as pessoas admiravam a beleza e o perfume delas. Aquelas flores cresceram bonitas sendo o orgulho da simpática senhora.

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